Uma coluna anônima sobre o backstage do marketing
Onde a gente reclama um pouco, ri um pouco e admite o que normalmente finge que sabe.
Porque às vezes tudo o que a gente queria era que fosse mais simples.
Episódio 2: Como sobreviver produzindo um evento. Ou dois.
Precisamos falar de um grande amor e ódio do marketing: eventos no marketing.
Amor porque é divertido. Movimenta o dia a dia, traz lead, faz a gente conhecer gente nova e expande a marca.
Mas, por outro lado, ódio porque… pensa em um negócio que cansa.
Assim como no episódio 1 eu falei das dificuldades de virar uma marketeira mais generalista, nesse aqui eu preciso falar sobre começar a tocar eventos pela primeira vez na vida.
E a gente já começa radical.
30 dias para produzir.
Isso mesmo. Ninguém te conta como é corrido produzir evento.
Às vezes a liberação chega em cima da hora.
Além disso, o contrato demora para fechar.
E o orçamento demora para ser aprovado.
E é aí que minha líder me pergunta:
“Bora?”
E eu, vibrando na mesma energia, respondo:
“Boraaaa!”
Então, já prepara o café, as listinhas, a planilha e parte para cima.
Quando o timing não ajuda
Mas aí, no meio do caminho, você percebe uma coisa curiosa:
o evento é no fim de março.
Último mês do trimestre.
E quem trabalha junto com o time de vendas sabe exatamente o que isso significa.
É bater meta.
É bater OKR.
É fazer análise de desempenho.
Análise de dados.
Análise da análise dos dados.
E a análise da análise da análise dos dados.
Ou seja, se antes o desafio já era corrido, agora a gente multiplica por dez.
Porque não temos como levar o time de vendas para o evento.
E, enquanto isso, como claramente achamos que estava tranquilo demais… fechamos mais um evento na semana anterior.
Está conseguindo acompanhar as complicações comigo?
Modo desespero ativado
E é aí que entra em jogo uma habilidade que eu nem sabia que eu tinha.
O modo desespero.
Acho que todo marketeiro tem esse modo.
Ele resolve tudo.
Mas também ativa o vício em café e o ressurgimento da gastrite.
No final do evento vem o dobro do cansaço.
Um nível de cansaço quase transcendental.
Então é assim que estamos por aqui agora.
Modo desespero ativado.
Inclusive foi ele que me fez escrever esse texto.
Está no meu planejamento de evento?
Não está.
É prioridade agora?
Também não.
Mas, ainda assim, a força do café está correndo no meu sangue e esse texto surgiu enquanto eu espero a liberação da arte do estande e os mockups dos brindes.
O momento que faz valer a pena
E eu sei que eu reclamo.
E continuarei reclamando.
Mas tem um momento muito específico em todo evento que faz tudo valer a pena.
Aqueles 30 minutos antes de abrir as portas.
Quando você olha em volta e vê tudo pronto.
E dá uma sensação incrível de trabalho bem feito.
Objetivo cumprido.
Claro que essa sensação dura exatamente 30 minutos.
Logo depois, você coloca o radinho no ouvido e o modo desespero é ativado novamente para resolver os 448 problemas que vão surgir.
E também para conversar com todas as pessoas incríveis que passam pelo estande.
Então é isso por hoje, cansados.
No momento estou fingindo não estar tão cansada.
Mas o cansaço está oficialmente programado para chegar dia 27 de março.
E me conta uma coisa:
Existe algum evento de marketing que não seja organizado no modo desespero?
Com carinho,
Uma Marketeira Cansada
(PS: se você estiver no CMO Summit 2026, passa para ver a gente. E se chegar falando que também é um marketeiro cansado… ganha um cafézinho.) ☕
